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  • Professor Marcelo Bruggemann

Viajando de TRICICLO pela Estrada Real


Somos um casal de professores triciclistas apaixonados pelo vento nas estradas, pelas paisagens e por conhecer culturas, pessoas e lugares históricos acompanhados por belas arquiteturas, boa gastronomia, música de qualidade, arte, artesanato e, para ser perfeito, como católicos que somos, que proporcione de alguma forma, a possibilidade de viver a nossa fé. Por incrível que pareça, nossa aventura teve tudo isso e muito mais.


No recesso escolar de julho, planejamos uma viagem partindo da cidade de Caieiras, na Região Metropolitana de São Paulo, com destino a Ouro Preto, Minas Gerais. Um roteiro focado no contexto histórico que é o mais procurado: a arquitetura do século XVIII ainda bem preservada, onde poderíamos curtir uns dias de descanso numa região que muito nos atraía.


Mas, em turismo de aventura - diferente dessas viagens engessadas oferecidas por agências de turismo - tem-se o risco de surpresas agradáveis e outras nem tanto. Felizmente para nós, essa viagem nos levou à famosa Estrada Real, o maior roteiro turístico/histórico do Brasil.


Ficamos tão apaixonados pela rota dos lendários aventureiros que buscavam o tão mistificado eldorado, que produzimos um texto, juntamente com fotos e um vídeo em nosso canal para apresentar a você essa rota do ouro, controlada a mão de ferro pela realeza portuguesa em terras tupiniquins, ainda no final do século XVII, adentrando por todo século XVIII.


Que nossa aventura possa incentivá-lo a conhecer Minas Gerais e as dezenas de cidades que foram erguidas na rota dos viajantes sonhadores. Tenham todos uma ótima leitura!



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O Lugar da Estrada Real

Localizada no Brasil, a Estrada Real é considerada a maior estrada turística do país, onde foi palco de muitos fatos históricos importantes. Quando as naus dos portugueses atracaram no território brasileiro, os índios que viviam no litoral relataram que adentrando o continente existia um “eldorado” perdido – um reino de fortunas douradas.


Ao longo de décadas avançando por séculos, bandeirantes se aventuraram no desbravamento do Brasil a procura do tão sonhado metal dourado. E foi apenas no fim do século XVII que as riquezas foram encontradas na região dos Cataguás, conhecidos como uma tribo indígena que vivia nas terras da atual Minas Gerais.


Era comum os relatos de aventureiros que encontravam ouro que parecia “brotar” do chão. Utilizavam as rústicas estradas para alcançar o litoral do país, formando paradas que logo erguiam-se vilas e, posteriormente, cidades. Foi assim que a Estrada Real teve sua extensão construída, a partir da travessia das riquezas que os primeiros viajantes transportavam, os conhecidos bandeirantes ou sertanistas, os pioneiros descendentes de portugueses.


Uma estrada para o incógnito, para uma terra que resplandecia diamantes e ouro. Dessa forma define-se a Estrada Real, que serviu no século XVIII como rota oficial da Coroa Portuguesa, para transportar os tesouros que abastecia as Minas Gerais.


Atualmente é um caminho que proporciona uma experiência única a quem busca por seus atrativos turísticos, isso porque permite que se reviva as passagens dos antigos viajantes; conhecendo histórias de sofrimento, de luta e fé; além de poder participar do passado das revoluções que nortearam sociedades. Tudo isso em uma conjunção de casarios coloniais, pinturas rupestres, templos barrocos, comunidades com paisagens bucólicas e forte devoção religiosa.


A Estrada Real é um dos locais com maior bagagem histórica do país, além de deter a marca de aproximadamente 1630 km de extensão, que corta os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. É uma estrada que originou a maior corrida de ouro da história, onde milhares de histórias se entrecruzavam; e de grandes navios que ancoravam na cidade de Paraty-RJ, onde homens buscavam a sorte a caminho das minas de pedras preciosas.


Uma jornada carregada de histórias, encantos naturais e até mesmo um passaporte especial para os turistas que buscam por aventuras na estrada mais famosa do Brasil, que ainda é possível fazer a travessia de carro, moto, bicicleta, cavalo e no nosso caso em especifico, de triciclo.


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Desvendando a História da estrada gerida pela realeza


A Estrada Real relaciona-se à era colonial (1530-1815) que o país viveu. A chegada da Família Real portuguesa para o Brasil, no ano de 1808, está ligada diretamente à construção desse percurso, onde Dom João VI decidiu fugir de Portugal, tendo o dever de trazer as riquezas do interior do continente sul-americano para sua terra natal. Nesse período, os caminhos das Minas Gerais eram correspondentes a um conglomerado de percursos terrestres, feitos maiormente pelos mestiços de indígenas com portugueses, os quais tinham um grande conhecimento das milenares vias dos povos nativos da região, os chamados “peabirus”, que a milhares de anos sobreviveram nesta região de relevo acidentado, um clima marcado por um longo período de seca, com uma cadeia montanhosa que apresenta picos com mais de 2000 metros de altitude.


A Estrada real compreendia os principais caminhos e estradas que existiam em Portugal. A terminologia “real” deriva da sua construção e manutenção serem deveres e encargos da Coroa Portuguesa. Ou melhor, reflete ao fato de que essa era a estrada única, oficial e autorizada para que as mercadorias e pessoas pudessem transitar, tendo a finalidade de maior controle e fiscalização. Caso outras vias terrestres fossem abertas, constituía um delito grave de lesa-majestade, razão pela qual deu-se origem à expressão descaminho, tendo como desígnio um crime e contrabando contra a Coroa Portuguesa.

A saber, no início das explorações no interior do continente brasileiro, a Estrada Real fazia ligação com a antiga Vila Rica (atualmente Ouro Preto-MG) até o porto de Paraty-RJ, o denominado Caminho Velho. Contudo, como a Coroa Portuguesa precisava que seus produtos escoassem mais rapidamente em direção aos portos do litoral de Rio de Janeiro, e, destes, à Portugal, esse fato acabou levando à criação do Caminho Novo. Em outros termos, no ano de 1699, esse novo caminho estava sendo formado para encurtar a distância. Após o desenvolvimento de vilas e arraiais, outros dois caminhos internos foram aparecendo, fazendo a ligação dos principais locais das minas, conhecidos como Caminho de Sabarabuçu e Caminho dos Diamantes. Estes 4 caminhos representam, dessa forma, os principais eixos de conexão com os diversos núcleos mineradores e suas interseções, e são conhecidos atualmente como Estrada Real.


Momentos históricos ficaram marcados no percurso. Na Inconfidência Mineira (1789), por exemplo – revolta da elite da capitania de Minas Gerais contra o poder colonial de Portugal – as estalagens, como eram chamadas as hospedagens, foram utilizadas por Tiradentes para pregar a independência do Brasil e a liberdade. D. Pedro 1º também visitou o local em dois momentos, no ano de 1822 e 1831. Além de figuras como Fernão Dias, Borba Gato, Bartolomeu Bueno, ou artistas como Aleijadinho, mestre Ataide, fora milhares de anônimos que foram em busca de fortunas nas Minas Gerais. Histórias carregadas de sentimentos de liberdade e escravidão, de vida e morte, onde muitos sairam enriquecidos, mas outros, porém, acabaram tendo uma trágica sentença diante os diversos conflitos na briga pelas riquezas.

A partir de então, quando a era mineradora acabou, as vias da Estrada Real se tornaram de livre acesso, sendo importantes para o intenso processo de urbanização da região e se consolidando como verdadeiros eixos histórico-culturais e viários do centro-sul da região. No decorrer do seu trajeto, o viajante pode se deparar com suas margens se distribuindo em centenas de povoados, arraiais e vilas nas quais organizaram-se a população de mineiros envolvidas com a mineração.


Três séculos se passaram, e somente no ano de 1999, a secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais, colocou em prática o Projeto Estrada Real. Esse momento marcou a passagem para o turismo na região.


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Turismo para todos os gostos


Atualmente, a Estrada Velha foi revitalizada como uma via turística, que revive a história mineira. O Projeto Estrada Real transformou o caminho em trilha turística, não apenas para aumentar a quantidade de turistas no local, mas também para valorizar o patrimônio histórico-cultural. São 15 Circuitos Turísticos e 198 municípios. Além do mais, a grande potencialidade turística da região faz com que seja possível existir várias modalidades de turismo: gastronômico, histórico-cultural, esotérico, ecoturismo, religioso, dentre outros.

Atualmente a Estrada Real faz parte da grande economia turistica do Brasil. Vivenciá-la se torna uma experiência envolvente e extraordinária para o aventureiro que pode, num só caminho, visitar a Mata Atlântica, contemplar a Serra do Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço.


Não o bastante, a Estrada Real tem em seu caminho Patrimônios da Humanidade, como os municípios de Diamantina, Mariana, Ouro Preto, Congonhas, Tiradentes além do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, ambos localizados em Minas Gerais. Quanto à melhor época do ano para se viajar, realmente é entre julho e agosto, o inverno não é tão rigoroso além de ser uma época de poucas chuvas, excelente para longas caminhadas, mas para quem aprecia cachoe iras, elas se encontram com pouca vasão. Já no verão dos meses de dezembro a março, adentra-se também a estação chuvosa, o que representa riscos no percurso, com trombas d’água e situações de deslizamento devido as regiões serranas.

É dessa forma que os velhos caminhos da Estrada Real, que serviram a Coroa Portuguesa, servem agora, de caminho para mais de 2,5 milhões de viajantes por ano. E para a aventura ser um desafio a ser superado criou-se o Passaporte Estrada Real, um registro gratuito e único de todos os passos a quem quiser conquistar, através do maior percurso turístico do Brasil. A cada cidade/parada, Pontos de Carimbo provam as travessias das encantadas paisagens mineiras, dando o direito a um merecido certificado no final da jornada. É a garantia de que se percorreu todos os 4 caminhos da Estrada Real. Sendo assim, o turista não será somente consumidor passivo da história-cultural, porém também poderá participar de forma a ter mais contato com as várias manifestações culturais desse complexo paisagístico.

Desafiadores obstáculos para quem procura aventuras e emoções, assim são as particularidades das rotas, que só não são mais difíceis de serem percorridas, porque para ajudar o viajante a viver essa aventura pelos caminhos reais há os Totens da Estrada Real. O Projeto Estrada Real fez a demarcação de toda a estrada, onde os totens mostram a história do local e assinalam o caminho certo. Podem ser vistos ao longo de todo o percurso, instalados a aproximadamente 2km um do outro, principalmente em trechos que normalmente geram dúvidas.

Conhecer a Estrada Real é reviver a história descobrindo lugares fascinantes, como patrimônio herdado do passado colonial. Os municípios históricos de Minas Gerais foram considerados como representantes da identidade brasileira. Dessa forma, os circuitos que formam as estradas constituem “produtos marcados pela brasilidade”, que refletem no interesse turístico da região alternativas para a preservação do seu patrimônio material, o qual tem risco de se perder se não existir alternativas mitigadoras para sua conservação.


Hoje em dia a Estrada Real representa o mais amplo projeto turístico em desenvolvimento no Brasil, o que torna esse lugar um destino verdadeiramente inimaginável para viajantes de qualquer lugar do mundo. Ao visitar os circuitos, o turista consegue rapidamente estabelecer um elo entre o presente e o passado, além de ser oportunizado a prática de um turismo cultural participativo, no qual deve-se estar atento as peculiaridades e detalhes para a compreensão dos valores e costumes das comunidades locais. Um destino imperdível, com uma história fascinante para qualquer explorador que queira se aventurar na história do Brasil.


Referências


FARIA, Caroline. Estrada Real. InfoEscola. Disponível em: https://www.infoescola.com/brasil-colonia/estrada-real/. Acesso em: 01 ago. 2022.


Programa Rumys – Projeto Estrada Real. A Estrada Real e a transferência da corte portuguesa. Eds. Gilberto Dias Calaes; Gilson Ezequiel Ferreira - Rio de Janeiro: CETEM / MCT / CNPq / CYTED, 2009.

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