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  • Professor Marcelo Bruggemann

Platão na História

Atualizado: 16 de set. de 2021



Platão é, junto com Aristóteles, Agostinho de Hipôna e Tomás de Aquino meu filósofo favorito e sem sombra de dúvidas, um dos mais importantes pensadores da humanidade. O encanto de Platão está em sua própria originalidade, é ele o fundador de um pensamento metafísico próprio, fundamentado na teoria metafísica dualista, a qual divide o mundo em duas categorias: o Mundo das Ideias e o Mundo Sensível.


Para entender Platão, nada melhor que conhecer primeiramente sua história, a qual começa logo quando ele nasce no seio de uma rica e importante família ateniense. Semelhante a todos os pais que buscam educar o filho para “ser alguém na vida”, os pais de Platão investiram pesado em sua formação fazendo-o se debruçar nos estudos de literatura, escrita, pintura, música, poesia e ginástica, onde inclusive, chegou a participar de Jogos Olímpicos! Pensa na loucura?


A família de Platão era algo que podemos dizer como a “top” na política ateniense. Logo, era de se esperar que Platão seguiria a carreira política também, como uma forma talvez, de agradar sua família.


No entanto, tudo mudou quando o jovem Platão conheceu Sócrates, o qual passou a ser seu professor e grande amigo. Sócrates e Platão não se largavam! Sócrates era desses caras que vivem pensando na razão das coisas que acontecem ao seu redor. Muito “brisado”, mas também muito provocador. Sócrates desmontava - num engenhoso jogo de perguntas e questionamentos - todos aqueles que se achavam “inteligentinhos”, “sabedorzinhos”, “intelectuaisinhos” ou ainda aqueles que se sentiam como “a última Coca Cola do deserto”. Portanto, Sócrates pela sua essência de ser, era amado e odiado em sua própria cidade. Era com esse mestre que Platão discutia, debatia e aprendia tudo sobre o mundo real e das ideias, principalmente sobre os problemas do conhecimento e as qualidades dos seres humanos.


A amizade entre Sócrates e Platão era algo único em Atenas. Quando Sócrates foi literalmente condenado à morte por uma cidade democrática, livre, a qual ele amava, a qual ele mesmo dedicou 70 anos de sua vida e a qual ele acreditava ser justa, Platão ficou profundamente arrasado com a injustiça da cidade de Sócrates e a partir dessa tragédia, nasce Platão para o mundo. Um ser humano, que busca a justiça na cidade por meio da educação do próprio ser humano. Sua grande obra, a República, está aí para ser degustada, saboreada e nela, Platão pensou na possibilidade de o leitor conversar com Sócrates. Logo, a República é toda escrita em forma de diálogo, tendo Sócrates como principal protagonista.


Vale lembrar que a República foi endeusada por Jean Jaques Rousseau, grande pedagogo e filósofo iluminista do século XVIII, como a maior obra de educação do mundo ocidental, e curiosamente, raro é o professor do séc. XXI nas terras dos Tupiniquins, que leu a República.


Platão, não parou só na sua República, para alcançar seus objetivos, fundou sua própria escola: a famosa Academia, onde reuniu outros que, como ele, estavam interessados em estudar Astronomia, Filosofia, Geometria, Matemática e compartilhar a ideia de um mundo dividido em duas formas: o mundo das ideias e o mundo sensível.


O mundo sensível seria a realidade que vivemos, e o mundo das ideias seria a nossa razão, os pensamentos que nós temos, os quais, segundo Platão, criariam nossa realidade. Assim, temos o poder de criar aquilo que pensamos! Isso não é muito louco?


Ainda entre as nossas ideias, também está o nosso conhecimento. Para Platão, somente o uso das ideias faz com que o ser humano alcance um objetivo, produza alguma coisa. Esse discurso nos faz ver quanto valor ele dava à razão, algo em comum com seu professor Sócrates e com seu aluno Aristóteles.


É importante dizer que Platão defendeu como verdadeiro somente o conhecimento obtido por meio do uso da razão, sendo para ele, falso o conhecimento obtido pelos sentidos humanos, defesa que se conhece por “idealismo platônico”, um dos pontos centrais das teorias platônicas. Este grande filósofo escreveu mais de trinta obras, sendo as mais famosas: a Apologia de Sócrates, o Banquete, Fedro, Protágoras e a República.


O legado de Platão para a civilização ocidental é imenso, basta dizer que os pensadores políticos e religiosos ocidentais até a época do iluminismo terão sólidas estruturas de apoio nas reflexões platônicas. E ainda hoje, o conceito de laicidade, os fundamentos do pensamento político, a influência da religião metafisica sobre a política, ou a influência da política sobre a religião, torna-se quase impossível seu pleno entendimento caso Platão seja desprezado. Até porque, como entender a religião como um lugar social, com sua moral, ética, valores e sua força no cenário político no âmbito nacional ou internacional, sem falar de Platão?




Atividade Testes


1. (UEL PR/2010) No pensamento ético-político de Platão, a organização no Estado Ideal reflete a justiça concebida como a disposição das faculdades da alma que faz com que cada uma delas cumpra a função que lhe é própria. No Livro V de A República, Platão apresenta o Estado Ideal como governo dos melhores selecionados. Para garantir que a raça dos guardiões se mantivesse pura, o filósofo escreveu:

"É preciso que os homens superiores se encontrem com as mulheres superiores o maior número de vezes possível, e inversamente, os inferiores com as inferiores, e que se crie a descendência daqueles, e a destes não, se queremos que o rebanho se eleve às alturas".


(Adaptado de: PLATÃO. A República. 7. ed. Lisboa:

Calouste Gulbenkian, 1993, p.227-228.)


Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento ético-político de Platão é correto afirmar:


a) A condição necessária para que se realize o Estado Ideal é que as ocupações próprias de homens e mulheres sejam atribuídas por suas qualidades distintas.

b) No Estado Ideal, a escolha dos mais aptos para governar a sociedade expressa uma exigência que está de acordo com a natureza.

c) O Estado Ideal apresenta-se como a tentativa de organizar a sociedade dos melhores fundada na riqueza como valor supremo.

d) O reconhecimento da honra como fundamento da organização do Estado Ideal torna legítima a supremacia dos melhores sobre as classes inferiores.

e) O Estado Ideal prospera melhor com uma massa humana difusamente misturada, em que os homens e mulheres livremente se escolhe.




2. (UEPA) Platão: A massa popular é assimilável por natureza a um animal escravo de suas paixões e de seus interesses passageiros, sensível à lisonja, inconstante em seus amores e seus ódios; confiar-lhe o poder é aceitar a tirania de um ser incapaz da menor reflexão e do menor rigor. Quanto às pretensas discussões na Assembleia, são apenas disputas contrapondo opiniões subjetivas, inconsistentes, cujas contradições e lacunas traduzem bastante bem o seu caráter insuficiente.


CHATELET, F. História das Ideias Políticas.

Rio de Janeiro: Zahar, 1997, p. 17


Os argumentos de Platão, filósofo grego da antiguidade, evidenciam uma forte crítica à:


a) oligarquia

b) república

c) democracia

d) monarquia

e) plutocracia





3 - No centro da imagem, o filósofo Platão é retratado apontando para o alto.

Esse gesto significa que o conhecimento se encontra em uma instância na qual o homem descobre a:



a) suspensão do juízo como reveladora da verdade. b) realidade inteligível por meio do método dialético. c) salvação da condição mortal pelo poder de Deus. d) essência das coisas sensíveis no intelecto divino. e) ordem intrínseca ao mundo por meio da sensibilidade.





4. (ENEM 2015) Trasímaco estava impaciente porque Sócrates e os seus amigos presumiam que a justiça era algo real e importante. Trasímaco negava isso. Em seu entender, as pessoas acreditavam no certo e no errado apenas por terem sido ensinadas a obedecer às regras da sua sociedade. No entanto, essas regras não passavam de invenções humanas.

RACHELS, J. Problemas da filosofia.

Lisboa: Gradiva, 2009


O sofista Trasímaco, personagem imortalizado no diálogo A República, de Platão, sustentava que a correlação entre justiça e ética é resultado de:


a) determinações biológicas impregnadas na natureza humana. b) verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais. c) mandamentos divinos inquestionáveis legados das tradições antigas. d) convenções sociais resultantes de interesses humanos contingentes. e) sentimentos experimentados diante de determinadas atitudes humanas.





5. Sócrates: “Imaginemos que existam pessoas morando numa caverna. Pela entrada dessa caverna entra a luz vinda de uma fogueira situada sobre uma pequena elevação que existe na frente dela. Os seus habitantes estão lá dentro desde a infância, algemados por correntes nas pernas e no pescoço, de modo que não conseguem mover-se nem olhar para trás, e só podem ver o que ocorre à sua frente. (…) Naquela situação, você acha que os habitantes da caverna, a respeito de si mesmos e dos outros, consigam ver outra coisa além das sombras que o fogo projeta na parede ao fundo da caverna?”.

(PLATÃO. A República [adaptação de Marcelo Perine].

São Paulo: Editora Scipione, 2002. p. 83).

Em relação ao célebre mito da caverna e às doutrinas que ele representa, selecione a alternativa incorreta:


a) No mito da caverna, o prisioneiro que se liberta e contempla a realidade fora da caverna, devendo voltar à caverna para libertar seus companheiros, representa o filósofo que, na concepção platônica, conhecedor do Bem e da Verdade, é o mais apto a governar a cidade.

b) O mito da caverna simboliza o processo de emancipação espiritual que o exercício da filosofia é capaz de promover, libertando o indivíduo das sombras da ignorância e dos preconceitos.

c) É uma característica essencial da filosofia de Platão a distinção entre mundo inteligível e mundo sensível; o primeiro ocupado pelas Ideias perfeitas ou são suas cópias imperfeitas

d) O mito da caverna faz referência ao contraste ser e parecer, isto é, realidade e aparência, que marca o pensamento filosófico desde sua origem e que é assumido por Platão em sua famosa teoria das Ideias.

e) No mito da caverna, Platão pretende descrever os primórdios da existência humana, relatando como eram a vida e a organização social dos homens no princípio de seu processo evolutivo, quando habitavam em cavernas.




6. (ENEM 2016) Os andróginos tentaram escalar o céu para combater os deuses. No entanto, os deuses em um primeiro momento pensam em matá-los de forma sumária. Depois decidem puni-los da forma mais cruel: dividem-nos em dois.

Por exemplo, é como se pegássemos um ovo cozido e, com uma linha, dividíssemos ao meio. Desta forma, até hoje as metades separadas buscam reunir-se. Cada um com saudade de sua metade, tenta juntar-se novamente a ela, abraçando-se, enlaçando-se um ao outro, desejando formar um único ser.

PLATÃO. O banquete. São Paulo: Nova Cultural, 1987


No trecho da obra O banquete, Platão explicita, por meio de uma alegoria, o:


a) bem supremo como fim do homem b) prazer perene como fundamento da felicidade c) ideal inteligível como transcendência desejada d) amor como falta constituinte do ser humano e) autoconhecimento como caminho da verdade




7. (Unespar 2016) Platão, filósofo grego e um dos pensadores mais influentes da história da filosofia, deixou quase toda sua filosofia escrita em forma de diálogos. Na maioria deles, Sócrates é a personagem principal que debate com demais interlocutores os temas relevantes que constituem, de certa forma, o todo da filosofia de Platão. A forma de diálogo pode ser caracterizada como:


a) a demonstração de que Platão e os autores de sua época desconheciam outra forma de escrita;

b) apenas uma forma que facilitava lembrar o texto, visto que se tratava de uma cultura da oralidade;

c) uma estratégia adequada que privilegiava a construção do pensamento de forma dialética através da maiêutica socrática;

d) a demonstração de que Platão não dominava completamente os problemas que ele discutia e, por isso, precisava recorrer às ideias de outras pessoas;

e) uma estratégia pedagógica para facilitar o uso das obras na Academia, escola fundada por Platão.




8. (ENEM 2012) Para Platão, o que havia de verdadeiro em Parmênides era que o objeto de conhecimento é um objeto de razão e não de sensação, e era preciso estabelecer uma relação entre objeto racional e objeto sensível ou material que privilegiasse o primeiro em detrimento do segundo. Lenta, mas irresistivelmente, a Doutrina das Ideias formava-se em sua mente.

ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia.

São Paulo: Odysseus, 2012 (adaptado).


O texto faz referência à relação entre razão e sensação, um aspecto essencial da Doutrina das Ideias de Platão (427 a.C.-346 a.C.). De acordo com o texto, como Platão se situa diante dessa relação?


a) Estabelecendo um abismo intransponível entre as duas b) Privilegiando os sentidos e subordinando o conhecimento a eles c) Atendo-se à posição de Parmênides de que razão e sensação são inseparáveis d) Afirmando que a razão é capaz de gerar conhecimento, mas a sensação não e) Rejeitando a posição de Parmênides de que a sensação é superior à razão





9. (ENEM 2016) Estamos, pois, de acordo quando, ao ver algum objeto, dizemos: “Este objeto que estou vendo agora tem tendência para assemelhar-se a um outro ser, mas, por ter defeitos, não consegue ser tal como o ser em questão, e lhe é, pelo contrário, inferior”. Assim, para podermos fazer estas reflexões, é necessário que antes tenhamos tido ocasião de conhecer esse ser de que se aproxima o dito objeto, ainda que imperfeitamente.

PLATÃO. Fédon. São Paulo: Abril Cultural, 1972


Na epistemologia platônica, conhecer um determinado objeto implica:

a) estabelecer semelhanças entre o que é observado em momentos distintos b) comparar o objeto observado com uma descrição detalhada dele c) descrever corretamente as características do objeto observado d) fazer correspondência entre o objeto observado e seu ser e) identificar outro exemplar idêntico ao observado




10. Na caverna de Platão, descrita em seu livro A República, há a distinção entre dois mundos. De acordo com seu conhecimento e com a crítica feita na tirinha, assinale a alternativa que condiz com essa alegoria:



a) mundo inteligível, uma vez que devemos usar a razão. b) mundo sensível, já que estamos reféns dos sentidos. c) mundo inteligível, que nos leva a compreensão da verdade que nos cerca. d) mundo sensível, que nos mantém acorrentados a antigos paradigmas. e) mundo inteligível, que nos mostra a importância de novas tecnologias.

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Respostas:

1b – 2 c – 3 b – 4 d – 5 e – 6 d – 7 c – 8 d – 9 d – 10 d


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